A felicidade na era das redes sociais

Mulher cobrindo rosto infeliz com máscara que tem cara de felicidade.

Hoje o conceito de felicidade virou tendência e, nas sociedades em geral, não estar na moda é quase um pecado; é quase morte social não ser carimbo. – Para de reclamar, de ficar pra baixo. Deixa tudo pra trás e vai ser feliz! – dizem aqueles infelizes! Não. Eu não quero ser feliz ao gosto de outras pessoas, porque diversas vezes eu preciso ser infeliz… quero apenas ser o que eu consigo ser. Além disso, tempos difíceis nos lapidam antes das alegrias e geram muitas novas pinturas, esculturas, poesias… como a gente bem sabe em toda a história da arte.

Tenho a nítida impressão de que décadas atrás as pessoas disfarçavam um pouco menos determinadas emoções, não por não tentarem, mas por talvez não conseguirem totalmente na falta de maior catequese do cinismo. Hoje vejo algo que me dá um arrepio na espinha: todos estão virando bons atores, especialmente nas redes sociais.

Sabe quando você vê aquela pessoa passando por uma das barras mais difíceis da vida postando foto com sorriso pleno? Não, não pense que é um sorriso fingido qualquer, é aquele dos mais “sinceros” em que até os olhos sorriem e as covinhas ficam à vista. Que medo!

Não falo que precisamos expor nossas falhas e fracassos no palco da internet, isso seria um tanto imprudente. Me refiro à possibilidade de fingirmos menos e termos a coragem de expor, aos que importam, essa perfeição yin yang que é o nosso íntimo. Meu desejo utópico, confesso.

Acredito que isso esteja acontecendo provavelmente porque as demandas para sermos considerados “alguém interessante” são inalcançáveis: sem tristeza, sem gordura, melhores roupas, melhores dietas, melhores amigos, vida de rico, no bad feelings at all. Hoje, ser amado me soa mais complicado e raro do que antes e ser amado no sentido romântico… aí que não tá fácil pra ninguém, colega!

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