Relacionamento Abusivo na Prática

Mão masculina cobre boca de mulher conferindo um sentido de agressão ou abuso.

Uma das coisas mais perigosas do relacionamento abusivo é que quem está dentro dificilmente consegue enxergá-lo dessa forma mesmo que o nível de abuso esteja beirando o insuportável. Foi o que eu vivi.

Em 2014 fui morar em Vancouver, no Canadá para aprender inglês. Nunca tinha saído do país, então estava empolgada e feliz, pois sabia que iria pra um lugar lindo e seguro. Acreditava que lá as pessoas eram mais diretas, honestas e que os homens seriam sempre educados, maravilhosos e fiéis… ledo engano.

Assim que cheguei precisava de um bom tênis para caminhar e fui a uma loja esportiva em um shopping próximo à minha escola de inglês. Lá um rapaz me atendeu, ele era um cara alto, loiro, bonito, agradável e muuuito paciente, pois meu inglês era bem sofrível. Notei que ele estava corando, ficando um pouco nervoso, gaguejando levemente. E no final das compras ele delicadamente me convidou para um café. Aceitei.

A conversa foi difícil, ele não era de Vancouver e, apesar de ser canadense, tinha um sotaque diferente. Mas sua paciência era parte da personalidade, então se esforçava para tornar o momento o mais fácil possível. Foi tudo muito bom, a conversa, os beijos, mas eu precisava voltar para a casa onde estava por conta da aula cedinho da manhã. Ele foi comigo ao ponto do ônibus e me abraçou porque estava uma brisa fria como é de costume na noite de Vancouver. Ali eu sabia que aquele cara tinha o que eu gostava em um companheiro, mas os seus 10 anos a menos que os meus me barraram e achei melhor não prosseguir. Ele queria algo mais, mas precisei ser sincera.

Me pus livre novamente e, como todos sabem, os solteiros piram no Tinder. 🤣 Resolvi então instalar o famigerado e controverso aplicativo. Era tudo muito tentador, MUITOS homens maravilhosos, lindos, de diversas nacionalidades… sim, em Vancouver você limpa a vista mesmo!

Então me encontrei com o primeiro cara que era de uma beleza inacreditável. A esta altura meu inglês tinha melhorado consideravelmente, mas o nervosismo foi tão grande que não conseguia evoluir em uma conversa realmente interessante. Resultado: Não deu certo.

Me encontrei então com o segundo, com esse me senti à vontade. Ele era professor de inglês para estrangeiros, o que facilitou muito a nossa conexão. Não era o cara mais lindo, mas tinha charme, lindos, grandes e expressivos olhos azuis e era muito, mas MUITO inteligente, o que pra mim é um baita afrodisíaco. Ao final do encontro ele me beijou delicadamente e me deixou na estação de trem. Fui para casa um tanto intrigada, pois ele era difícil de ler.

Nos encontramos a segunda vez… eu não sabia exatamente como agir com um canadense, quais eram as regras para um bom encontro, se beijar publicamente era confortável para eles etc. Comemos e fomos fazer uma trilha em um lugar incrível. Andamos, conversamos e foi tudo muito bom, mas havia ali algo que me incomodava e eu não sabia explicar.

No terceiro encontro lembro de estar meio perdida pelas ruas da cidade e de ele parar com o carro do meu lado com aqueles lindos olhos e um belo sorriso me resgatando para me levar ao meu lugar preferido em Van, Grandville Island. Mais uma vez, foi tudo muito legal, mas notava que ele parecia ter um muro, algo que impedia uma conexão mais profunda. Cheguei a perguntar sobre seus outros relacionamentos para tentar entender de onde vinha aquela barreira, ele foi sincero, falou várias coisas que explicavam e que eu levei em consideração.

Após alguma reflexão, algo em mim falou para eu não manter nada romântico, mas sim somente uma amizade com aquele homem… que seria melhor. Quem me conhece sabe que eu tenho um sexto sentido aguçado… o qual ignorei desta vez.

No outro dia fui à praia com os amigos da escola de inglês. Ele me convidou para um outro encontro e eu falei que precisávamos conversar. Ele aceitou. Fiquei então de passar em sua casa após a praia e assim o fiz. Estava decidida a dizer que queria somente sua amizade, mas ele com aqueles grandes olhos azuis e argumentos matadores me fez ficar. Eu pensei: puxa, ele parece ser um cara correto, decente… vou tentar. Ah! Se eu soubesse…

Os dias se passaram e eu resolvi ao invés de cursar gramática e conversação, tirar a conversação e jogar meu intercâmbio 2 meses para frente já que eu estava convivendo e conversando com canadenses. Batendo os 4 meses, muitos dos amigos que fiz já tinham voltado para o seu país de origem, então fiquei bastante sozinha e a saudade de casa apertou.

Ele então me convidou para ir em sua casa, que prepararia um jantar para nós dois já que os amigos haviam viajado. Aceitei. Ele então preparou um filé com brócolis na manteiga deliciosos. Tudo ao som de Ella Fitzgerald. Conversamos, rimos e depois partimos para algo mais íntimo. Confesso que a primeira experiência não foi muito bem sucedida, mas isso já tinha ocorrido antes… os homens também ficam super nervosos em encontros, certo? Sinal ignorado.

De algum modo aquela havia sido nossa primeira vez e esperei que no dia seguinte fizéssemos algo juntos, afinal, ele não tinha me avisado de compromissos e era um domingo. Saímos para tomar café da manhã e mais uma vez notei uma certa distância. Lá ele me perguntou o que eu iria fazer naquele dia, disse a ele que não tinha planos. Fiquei animada achando que ele tinha feito algum plano para nós, mas na verdade tomei um banho de água fria quando ele falou que já tinha planos e que eu deveria ir embora em breve. Pensei comigo: “Tudo bem, ele é direto, canadense… vou tentar não encanar”. Outro sinal ignorado.

Fui embora bastante chateada, mas tentando controlar os pensamentos por achar que aquilo era somente uma diferença cultural. Depois de algum tempo, não consegui conter a chateação e me passou pela cabeça que aquele cara só queria “sexo”. Então me convenci de que não veríamos mais.

Na segunda-feira não recebi mensagem alguma, o que me fez confirmar o que tinha pensado. Fiquei chateada, mas conformada. Faz parte dos ônus desse jogo dos relacionamentos. Preferi não ir atrás também, não gosto de insistir com pessoas, acho mais interessante vê-las agindo livremente.

Na terça-feira ele então resolveu mandar mensagens. Fui bastante fria, sem arrependimentos. Ele tentou engajar uma conversa de todas as formas, mas cortei todas as possibilidades. Até que ele perguntou se estava me incomodando. Foi aí que resolvi dizer a verdade e falar que achei que nunca mais nos veríamos. Resolvemos nos encontrar para conversar. Ele então me convenceu que era uma diferença cultural mesmo, que ali eles eram daquela forma, mais soltos, não ligavam muito para o “outro dia após o sexo”, essas coisas. Novamente um sinal ignorado.

Prosseguimos nos vendo e mais pra frente decidimos namorar. Então os joguinhos começaram. Inicialmente ele era carinhoso, passava mais tempo comigo, me apresentou aos seus pais e fez tudo como manda o figurino. Ele promoveu o encantamento e a companhia de um homem e uma família a uma pessoa sozinha em um país estranho. A isca havia sido jogada e mordida com sucesso.

Ele começou a me testar quando me deixava sozinha em momentos que precisei de companhia, quando a solidão era maior que eu. Eu demonstrava chateação, mas estava fraca para combater qualquer coisa naquele momento. Então ele viu que eu cedi e entrou mais um pouco. Dizia que eu tinha que aceitar a minha solidão melhor, mas falava delicadamente. Mais outro sinal ignorado.

O segundo teste foi feito com a criação de triângulos amorosos. Pelo que parece ele testou com várias amigas até chegar em alguma que eu tivesse ciúme real. Ele conseguiu. Havia uma garota diferente das outras amigas, ela dava abertura para ele, coisa que não havia acontecido até o momento que começamos a namorar. Eles tomavam drinks sozinhos, ela elaborava programas só para os dois, iam ao cinema… era demais. Veja bem, acho que amizade com pessoas do sexo oposto existe, mas precisamos ter bom senso em saber quando há algo a mais ali. E, no meu caso, claramente havia, tanto que outras pessoas notaram.

Eu reclamei muito, ele dizia que eu era louca, que eu era ciumenta demais. Então comecei a questionar os meus valores. Erro cabal.

Aos poucos ele foi ficando mais frio. Quando estávamos juntos ele parecia um boneco de cera do meu lado. Aquilo me perturbava demais. Achava que ele não gostava de mim, quando já tinha dito até que me amava. Perguntei inúmeras vezes se ele realmente queria estar em um relacionamento comigo e a resposta era sempre “sim”. Outro sinal de perigo gritante deliberadamente ignorado por mim.

A esta altura eu já tinha decidido permanecer em Vancouver para fazer os cursos dos sonhos, ou seja, iria permanecer na cidade por no mínimo dois anos.

Os abusos começaram a aumentar, ele criava situações para brigarmos, coisa que nunca tinha acontecido em nenhum relacionamento até então. Me cutucava, me denegria chamando de hipócrita, ciumenta, carente… e me humilhava perante aos seus amigos. Vi isso quando olhei conversas dele com os amigos no celular (dessa parte não me orgulho) me resumindo a uma bunda, a algo passageiro, subestimando a minha capacidade entender as nuances do inglês (porque ele era o “MESTRE DAS NUANCES” 🤮) ou até mesmo de arrumar um emprego na minha área, coisas que provei o contrário em poucos meses.

As paqueras dele começaram a piorar, fora o fato de que comia algumas mulheres com os olhos na minha frente e eu tentava reprimir a insatisfação em ver aquilo tudo, pois passei a acreditar que eu realmente era ciumenta e problemática. Tentava ficar sozinha, sem “incomodá-lo”, pois ele dizia que precisava ficar sozinho um tempo, que ele precisava de espaço… eram dias e dias de espaço, somente até seus amigos o deixarem, ele ficar sozinho e querer minha companhia novamente. Havia aqueles momentos em que a solidão era tão grande que eu pedia arrego e precisava implorar por sua companhia. Foi ali que ele viu que tinha total poder sobre mim.

As nossas brigas aumentaram, assim como seu tom de voz e em geral eu estava certa pelo que estava reivindicando ali, mas ele sempre arranjava um jeito de reverter a situação para que fosse a culpada, mesquinha, pequena e desequilibrada.

Até que um dia fomos a um Halloween. Eu tinha acabado de me mudar, estava só o pó da rabiola, mas queria curtir, relaxar um pouco. Era uma casa toda decorada com o tema gore numa daquelas festas bem americanas que a gente vê nos filmes: muita bebida, beer pong, som alto, gente bêbada, sem dança, muita fofoca e gente entulhada dentro de uma casa, mas de algum modo tinha lá sua diversão.

Lembro de irmos em três: eu, ele e um amigo que foi sem a namorada. Eu não conhecia ninguém além deles e mais uma amiga que já estava por lá. Do nada me vi sozinha no meio de estranhos. Busquei o meu namorado pela casa toda, ele tinha me deixado absolutamente sozinha numa festa que era teoricamente pra gente se divertir juntos. Eu tentava colocar na minha cabeça que aquilo era diferença cultural.

Insatisfeita e desconfortável sentei em um sofá e poucos minutos depois veio um cara conversar comigo. Pra minha surpresa ele salvou a minha noite, foi um doce, super respeitoso e querido. Falei pra ele o que estava acontecendo de ser abandonada pelo meu namorado e notei uma cara estranha acompanhada da frase “Sério que ele fez isso com você?”. Além disso comecei a reparar outros casais na festa e todos estava juntos a maior parte do tempo. Eles se beijavam, se abraçavam, brincavam e riam. Pela cara do meu novo amigo, pela observação e pela lembrança daquele primeiro canadense que fiquei, comecei juntar as peças e perceber que aquilo não era coisa de canadense, mas sim coisa do meu namorado.

Conheci gente nova, conversei bastante, mas em algum momento eu tinha que procurar aquele babaca que sumira. Depois de quase duas horas separados resolvi ir atrás mais uma vez, até que eu o encontrei em uma sala no porão da casa onde as pessoas pra lá de Bagdá estavam tentando tocar algumas músicas sem muito sucesso. Cheguei pra ele e disse que queria ir embora, estava cansada e chateada com o seu sumiço. Ele falou que eu podia ir, mas que ele iria ficar.

Fui até o nosso amigo que também queria ir embora e juntos fomos chamar aquela criatura pra finalmente ir para casa. Ele aceitou sob protestos e me olhando feio. Na saída, do lado de fora já, o outono começava a dar as caras e a brisa estava mais fria do que de costume. Eu estava com um vestido curto, o que me fez congelar. O amigo dele parou para conversar com uma garota e estava rolando algo ali… então começou a demorar demais. Delicadamente cheguei nele e disse baixinho com uma cara desconcertada: “Podemos ir? Estou com tanto frio.” Ele rapidamente disse que sim num gesto gentil, mas do nada senti uma mão apertar forte o meu braço me puxando para longe. Doeu. Mas doeu mais ouvir: “Que merda que você tá fazendo aí?”.

Comecei a chorar imediatamente, afinal nunca tinha sido agredida fisicamente por homem nenhum em minha vida. Fiquei em choque. Ele complementou dizendo que eu estava sendo uma mal educada, que estava fazendo aquilo só porque o amigo dele tinha namorada e estava flertando com outra. Respondi prontamente que não, somente que estava cansada e com frio.

Quando o nosso amigo veio ver porque eu estava chorando, eu contei o que houve, mas o meu namorado disse que eu estava delirando que ele nunca tinha feito aquilo. Ele persistiu dizendo isso o tempo todo. Foi aí que comecei a questionar minha sanidade e chorei por dois dias seguidos.

Às vezes, em função da nossa relação disfuncional, eu tinha crises de choro que duravam dias, o que faziam mal para mim, minha família e para os amigos que estavam perto ou os que me ajudavam por skype ou whatsapp. A depressão então me pegou seriamente por esse e outras feridas não curadas do passado. Mas não sou de deitar. Procurei ajuda médica e psicológica na instituição onde estudava (e eles foram incríveis).

Muitas outras coisas foram acontecendo, até chegar o ponto de ele ir conversar e flertar com uma moça, minha colega de trabalho na época, que claramente queria ficar com ele quando quase o beijou numa festa anterior. Fiquei muito chateada e falei com ele de modo maduro. Já estava cheia. Mas ele resolveu sair gritando no meio da rua que não aguentava mais o meu ciúme. Me neguei a fazer aquilo novamente, disse a ele que conversaríamos em casa. O fizemos.

Lembro de ele estar muito nervoso e gritando e eu não queria mais aquela abordagem. Me acalmei, respirei fundo e fui tentar acalmá-lo colocando delicadamente as mão na lateral de seus braços dizendo: “Calma, vamos resolver com calma”. Ele bateu nos meus braços com força dizendo pra eu não encostar nele. Doeu novamente. Ali eu percebi que aquele homem um dia poderia me bater. Fiquei muda e ele conseguiu me fazer de vilã como sempre.

O tempo passou e fui me adaptando ao Canadá, me tornando mais confiante com meu inglês, o que me ajudou quando ele resolveu ir numa viagem de um mês a Tailândia sem mim. Foi o tempo em que me senti melhor. A solidão já havia diminuído, pois consegui um colega para dividir um ap. Só que havia ali a dificuldade de esquecê-lo, de deixá-lo para trás e na época eu não entendia porque não conseguia sair de um relacionamento no qual não me sentia bem, no qual nem a intimidade era boa.

Até esse ponto eu não sabia que estava em um relacionamento abusivo, pasme. Tentei acabar o relacionamento 3 vezes. As duas primeiras ele me convenceu a ficar, na terceira eu já estava tão dependente dele que não conseguia ficar longe. Percebi naquele ponto que teria que mudar algo na minha vida.

Consegui achar a minha identidade em uma nova língua, um novo país, revisitei os meus conceitos sobre relacionamento, melhorei minha auto-estima e “recompreendi” quem eu era, meus valores e o que realmente me fazia bem, tudo com ajuda dos psicólogos da escola que falei lá em cima. Uma das frases que ouvi deles foi: você precisa de conexões profundas com pessoas que façam você se sentir em paz. Seu corpo não tem nada de errado, o que você quer é lindo e talvez você só esteja entre as pessoas erradas. Eles mataram a charada, eu realmente estava.

Estava com um namorado que testou os meus limites para me controlar de forma perversa, amigos do meu namorado que me desrespeitaram diversas vezes, não consegui manter boas amizades, pois estava muito triste e isso espantou as pessoas. E então o cheque mate foi quando tive mortes e problemas na família, que me fizeram sentir ausente no meu próprio corpo.

Pesei muito e vi que voltar para o Brasil seria a solução definitiva. As amarras eram tão fortes que tive a esperança romântica daquele homem vir atrás de mim e tudo mudar. No fundo eu sabia que nunca iria dar certo, que não queria vê-lo nunca mais, mas num ato paradoxal achei por um breve instante que talvez com a minha confiança e saúde restauradas conseguiria controlar a situação e ele não me trataria mais daquela forma.

No final de tudo, um mês antes de voltar para o Brasil, precisei sair do local onde morava com outro colega e o meu ex ofereceu sua casa, pois lá eu tinha uma amiga mais próxima e era mais perto do centro, iria ficar mais fácil resolver os últimos detalhes. Aceitei. Nos vimos somente duas vezes em um mês. Ele foi me deixar no aeroporto dizendo que me amava. Foi muito confuso, pois eu o amava ao passo que achava que também o odiava naquele ponto.

Depois de chegar nas terras tupiniquins eu e meu ex mantivemos contato, mas logo brigamos, pois fui sincera e o questionei quanto ao modo como ele me tratava. Na defensiva ele falou que tinha orgulho de como me tratou e que nunca havia me feito mal algum. Derramei todas as minha opiniões e dores a respeito daquele relacionamento, falei tudo que sempre quis de uma só vez. Depois disso passamos um ano sem nos falar. Foi então que me mandou um e-mail admitindo muitos dos seus erros, que sabia que eu estava com alguém e ficava feliz por mim. Achei nobre da parte dele e, apesar de na época ainda ter ressentimentos, voltamos a nos falar moderadamente, com certa distância e sem animosidade. Inclusive, mais tarde, ele desabafou sobre a dificuldade em se conectar com as pessoas, característica que percebi logo no comecinho dos nossos encontros.

Eu sabia que somente uma grande ruptura e uma mudança brusca de foco iriam me dar a perspectiva correta para eu me libertar do que fazia mal. Testei novos parâmetros em um novo lugar, com pessoas totalmente diferentes de mim, mas vi que os valores mais importantes devem permanecer acima de qualquer situação e que é melhor se juntar somente àqueles que geram segurança e paz.

Hoje observo que as fases do relacionamento que experienciei foram:
1- Encantamento
2- Testes
3- Humilhação
4- Controle total

Pelo que já li, há também uma fase onde o abusador isola você dos seus amigos e família. Comigo isso não aconteceu… afinal eu já estava longe de tudo mesmo. Ele me pressionava a arrumar meus próprios amigos (longe dos dele), quando isso é um processo natural e que precisa de tempo (e saúde mental) para alguém que está em um novo lugar.

Agora, 3 anos depois, vejo que fiz o melhor para mim mesma em ter voltado para o Brasil. Aqui recobrei minha confiança, arrumei um emprego legal, ajudei a minha família em momentos difíceis (e eles a mim), fiz novos amigos, conheci um novo companheiro extraordinário, com o qual fui super dura no começo por medo de entrar em uma relação prisão ou uma relação abusiva, como as últimas que vivi.

É importante dizer que no meio desse processo dolorido ainda sim conheci gente muito bacana que fez o possível para me ajudar, fiz cursos incríveis que salvaram meus dias, passeei, tive momentos sensacionais e inesquecíveis, mas confesso que tudo isso teria sido melhor e mais colorido sem os abusos.

Muita gente acha que relacionamento abusivo tem uma só face, somente um modus operandi, mas esse mal carrega mais formas do que podemos imaginar. Se você sentir em algum momento que está passando por algo meramente parecido ou até pior, peço de coração que se ouça, não se cobre tanto, não esqueça os seus valores, fique perto SOMENTE de quem faz você se sentir bem com você mesma(o) e quando seu sexto sentido falar “NÃO FAZ ISSO” escute, sério, escute mesmo!

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